sábado, 8 de novembro de 2008

Técnicas de contação de histórias.




BAÚ DE HISTÓRIAS


Para chamar a atenção das crianças para o começo da história podemos utilizar no corpo acessórios simples como um laço de fita na cabeça, uma maquiagem mais exótica, um chapéu de couro ou palha ou um laço no pescoço.
O aliado do professor é o BAÚ DE HISTÓRIAS. Nele você irá colocar objetos que sirvam para despertar o interesse pela história que está sendo contada. Para a história de CHAPEUZINHO VERMELHO  podemos acrescentar na caixa uma cestinha e ir tirando do baú cada guloseima que irá compor o lanche da vovó, por exemplo, um pequeno pote de biscoitinhos amanteigados, uma maçã e um belo cacho de uvas...  É claro que com toda a sua criatividade você não poderá deixar de acrescentar um arquinho com as orelhas do lobo, um óculos da boa velhinha, e também sua toca franzidinha de dormir...  As crianças vão pedir BIS. Sua contação de história será um sucesso.

Também poderá trabalhar sem o baú. Que tal trazer nas mãos um fantoche, um objeto “misterioso” (sua importância será desvendado no decorrer da história) ou se você for habilidosa(o) poderá confeccionar o personagem principal em espuma, madeira ou desenhá-lo num simples cartaz... A criançada irá adorar tirar uma foto com o tal personagem.

Mais um exemplo prático: Para iniciar na sala de aula a história MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA de Ana Maria Machado podemos trazer jabuticabas para sala de aula e oferecer às crianças... enquanto experimentam a fruta você pode introduzir a história dizendo que você conhece uma história em que um coelho apaixonado tentou comer muitas jabuticabas para ficar pretinho como a menina que ele tanto admirava... É sempre bom informar às mamães no dia anterior que traremos jabuticabas para as crianças pedindo autorização para experimentarem. “Antes prevenir que remediar”.

Use a imaginação ao utilizar os recursos escolhidos.
Outras dicas? Conto mais num outro dia!

O valor das histórias


Contar histórias é ajudar a criança a criar asas e voar através da fantasia, a despertar a sua criatividade vislumbrando a vida de várias maneiras. Conforme os personagens vão enfrentando novas situações nas histórias, as criança vão identificando-se com algumas delas e percebendo que outros vivem  situações parecidas com a sua e desta forma ela se sente mais segura para falar sobre as dificuldades que enfrenta no dia a dia. Ao contar histórias para um grupo de crianças da Educação Infantil  essa identificação é tão imediata que algumas crianças chegam a interromper a história querendo fazer os seus relatos.

As histórias também proporcionam uma série de sentimentos nas crianças que acompanham as dores ou alegrias sentidas pelos personagens. Neste momento algumas crianças podem se sentir aliviadas por saber que "a explosão de sentimentos" que sentem  algumas vezes, também  são vividas por outros no seu dia a dia.
A riqueza cultural trazida pelas histórias de diferentes origens é algo que deve ser muito bem explorada pelo contador de histórias: os cenários, o linguajar,  as vestes, os costumes devem ter especial atenção nas histórias. Desta forma, a criança adquire conhecimentos que “fora do contexto das histórias” se tornaria uma aula enfadonha.
A maioria das histórias contribuem na formação de valores como a honestidade, a compaixão, a tolerância que se somam aos valores incutidos do decorrer de sua vivência seja pela família, religião ou escola.
As histórias despertam o prazer pela leitura, pois a criança passa a buscar nos livros um caminho para encontrar outras aventuras como aquelas que a encantou.

DENISE ALMEIDA E MARTA GLÓRIA envolvidas  na arte de contar histórias.

domingo, 2 de novembro de 2008

O BICHO-PAPÃO COMILÃO


Era uma vez um bichinho
que era muito comilão.
Comia o que via a frente,
não negava nada não.

Ele apareceu do nada!
Veio da imaginação.
Era corcunda e olhudo,
tinha um enorme narigão!

Comia o que via à frente,
não queria nem saber.
Com sua fome interminável,
só pensava em comer!

Se ele estava na rua,
muita coisa ele comia.
Comia o banco da praça,
 a placa da padaria!

Um dia, eu me recordo,
comeu um gato malhado,
um sapo que estava pulando
e um cachorro cansado.

Comeu também a lixeira
que estava na calçada.
Depois comeu uma moto
que estava estacionada!

Fazia um estranho barulho,
toda vez que ele comia:
Nhoc-crok, crok-nhoc!
É o barulhão que fazia!

Ele não comia gente...
isso não comia não!!
De gente ele não gostava,
pois lhe dava indigestão!

Um dia entrou numa escola
e causou grande pavor:
comeu os brinquedos do parque
e o carro do diretor!

Mas que bicho olho grande
e também mal educado!
Foi andando sempre em frente
e entrou num supermercado.

Deu um enorme prejuízo,
pois comeu  uma geladeira.
Comeu mais de mil produtos
e uma enorme prateleira!!!

Mas o que é bom dura pouco,
vocês agora vão ver
que quem faz o que não deve,
de algum jeito vai sofrer!

De repente, esse bicho,
comeu uma formiguinha
que dentro da sua barriga
fazia a maior cosquinha!!!

Vocês então não imaginam,
o que nem ele sabia:
podia comer quase tudo,
mas tinha uma só alergia!

Era alérgico a formigas!
Ele nem desconfiou.
E por causa da alergia,
ele inchou, inchou, inchou...

Inchou tanto, o tal guloso,
que explodiu num barulhão!!!
Buuum!
E assim sumiu da história.
Tive pena do bichão!

Mas é assim que acontece
com quem é tão comilão...
acaba se dando mal
em qualquer situação.





RJ: Denise Almeida da Silva, 2005
Ilustrador: Sandro Lopes
Livro: Quem não presta atenção... Só se mete em confusão!
(livro de coletâneas de histórias e poemas infantis)
ESGOTADO 

FACEBOOK:
http://www.facebook.com/denise.almeidadasilva.9?ref=tn_tnmn

O MISTÉRIO DAS ONDAS DO MAR

Há muito tempo atrás, os mares do mundo inteiro paralisaram. Não se movia uma ondinha sequer. Em uma cidadezinha muito pobre, um jovem curioso pescava à beira do mar tentando entender aquele mistério quando de repente, começou a escutar um estranho coaxar angustiado. Ele apurou o ouvido e foi caminhando em direção de onde vinha aquele som. Foi então que pulou na sua frente uma sapinha indefesa que lhe implorou:
— Por favor, estou me escondendo de uma cobra que deseja me devorar. Proteja-me, pois eu não quero morrer.
Dizendo isso, surgiu de repente uma serpente enorme que imediatamente deu um bote em direção ao animalzinho. O rapaz, sem ter muito tempo para pensar, lutou com a cobra e sacando de uma faca que utilizava sempre em sua pescaria, conseguiu dar um fim àquela serpente depois de muita luta.
Muito agradecida a sapinha lhe fez um pedido muito estranho:
— Para completar a sua ajuda, gostaria que você me desse um beijo, pois tenho sofrido muito estes últimos dias e preciso de carinho. O rapaz então, impulsionado desta vez por sua bondade, atendeu ao seu pedido dando um carinhoso beijo em sua cabecinha. Neste momento tudo escureceu, surgiram raios que iluminavam o céu e trovões ensurdecedores. Um vento forte começou a soprar e imediatamente as ondas no mar voltaram a bater na areia aquecida pelo sol que ressurgia contente. Toda a natureza havia se manifestado. Quando o pescador, sem entender nada, procurou a sapinha percebeu que ela havia se transformado na mais linda das princesas.
A encantadora jovem explicou que em seu reinado, lá no fundo do mar, ela era a responsável pela beleza das ondas do mar e contou que elas haviam parado por causa de um feitiço que uma bruxa invejosa havia lhe jogado.
Feliz e agradecida, a princesa, antes de retornar para o mar, prometeu a ele que nunca mais faltaria peixes para alimentar seu povo.
Foi assim que tudo aconteceu. Aquele povoado se tornou próspero e todos viveram felizes por lá. Dizem que até hoje este rapaz senta numa grande pedra junto a praia, aos finais de tarde, e fica escutando as ondas do mar na esperança de que apareça outra sapinha lhe pedindo um beijo encantado.

RJ: Denise Almeida da Silva, 2007

Ao contar esta história não deixe de citar o nome da autora.

Baratas!!!



Duas baratas muito faceiras
Adoram fazer brincadeiras.

Imitam gente com perfeição:
Vestem sainhas e passam baton!

Brincos compridos, querem usar...
Mas sem orelhinhas, onde pendurar?

Com botas de couro e blusas curtinhas,
ficam as baratas tão bonitinhas!!!

Desfilam as duas com fantasia!
Brincam felizes! Ai que alegria!

Ligam a música para dançar...
Bailam e pulam, querem voar!!

Brincam de pique e de amarelinha.
São tão amigas essas bichinhas!

Por serem espertas, não vão bobear,
pois a madrugada já vai terminar.

Baratas brincando à luz do dia?
É um grande perigo! Ai que agonia!

Se forem pisadas por um pé malvado...
Aí vai barata par tudo que é lado!!!

Pensando direito é melhor se mandar,
Pois no outro dia voltam a brincar!

E assim as baratas sem parar de rir
Pegam suas coisas... e se mandam dali!!

RJ: Denise Almeida da Silva, 2005
Poema publicado no livro:
“Quem não presta atenção... Só se mete em confusão!”
Para adquirir o livro entre em contato por e-mail: denisepoetisa@yahoo.com.br
ou por Tel. Cel. 99701 4557

Poema Infanto-juvenil: O CHORO DA TERRA




Terra amada, por que tanto choras?
Troca teu choro por uma melodia.
Sente o arado que com ardor te sulca
e a semente que em ti se refugia.


Olha o menino correndo pros teus braços
e a canção do vento quando rodopia,
o cantar dos pássaros que te sobrevoam,
o raiar do sol que cedo te alumia.


Lembra do índio que te idolatra
e do homem sábio que te reverencia,
os animais que em ti encontram abrigo,
a cachoeira e sua galhardia.


Percebe as flores que te ornamentam,
olha a criança que te acaricia
e o poeta que te exalta em versos,
transforma tudo em bela sinfonia.


Não chores mais, minha Terra adorada!
Surge uma chance a cada novo dia.
Esquece os homens que ainda te maltratam...
daremos fim a esta covardia.


RJ: Denise Almeida da Silva, 2005
“Quem não presta atenção... só se mete em Confusão!”

Poema Infantil: BANHO, NÃO!

Retirado do livro: ESSA VIDA DE CRIANÇA NÃO É MOLE

A minha mãe sempre grita:
“Vai tomar banho, menino!”
Mas eu não gosto de banho
porque eu sou pequenino.

Não quero água pingando
no meu corpinho franzino.
Vai tirar minha sujeira
e assim vou ficar fino.

Eu corro, então, pela casa
pra do banho me esconder.
Acho, assim, que em pouco tempo
a mamãe vai me entender.

Mas mamãe não entende nada!
Diz que eu sou um encrenqueiro.
Me pega então pela orelha
e me leva pro chuveiro!

Ai, meu Deus! Como é difícil
essa vida de criança!
Mas eu não nunca que desisto
e a mamãe nunca se cansa!

RJ: Denise Almeida da silva, 2007




Ilustrações de Danilo Marques



sábado, 1 de novembro de 2008

O COCHILO DO CROCODILO - Denise Almeida

Olha o que acontece com quem não presta atenção nas orientações da mamãe!


Murilo era um crocodilo,
preguiçoso como ele só.
Não prestava atenção
em nada ao seu redor!

Só pensava em descansar,
em dormir, tirar um cochilo.
Não queria fazer nada,
o danado do crocodilo!

Não guardava suas coisas,
largava tudo espalhado...
e assim perdia tudo.
Era muito desastrado!

Sua mãe, dona Crotilde,
vivia só reclamando:
—Venha logo me ajudar!
Mas ele saía falando:

—Volto já, querida mãe,
espere só um pouquinho,
pois agora estou cansado...
vou dormir um bocadinho!

E sua mãe, com peninha,
adorando a ele mimar,
pensava que seu filhinho
um dia ainda ia mudar!!

Mas dizia preocupada:
—Não esqueça esse refrão
Quem não presta atenção...
Só se mete em confusão!!!

Eis que um dia, como sempre,
só pensando em dormir,
se deitou em uma tábua
na beira do rio Aruí.

Caiu em sono pesado,
sem saber do seu destino,
pois o rio levou a tábua
Com o tal réptil dormindo...

E então sem piedade
Até sua foz o levou!
E depois de muitas horas
O Murilo acordou!

Ai, meu Deus! Que grande susto
levou nosso personagem,
que acordou numa praia
depois da grande viagem!!

Coitado do crocodilo!!
Pra ele foi um horror,
todos que o avistavam
davam gritos de pavor!!

Algumas pessoas perversas
tacavam pedras no bichinho,
pois ninguém desconfiava
que ele era tão bonzinho!!

E então muito assustado,
sem saber o que fazer,
saiu correndo dali,
precisava se esconder!!

Mas, sua mãe preocupada
na Lagoa das Delícias,
resolveu ligar o rádio
para escutar as notícias!!

Ai, que bom! Que boa ideia!
logo, logo, ela ouviu
que um filhote de crocodilo,
Na Praia do Beco surgiu!

“Só pode ser o Murilo!”
Pensou a mãe assustada...
e para Praia do Beco,
se mandou bem apressada!

Chegando lá não foi difícil
encontrar o azarento...
deu uma bronca muito grande
no seu filho desatento!

Voltaram então para casa
Fugindo do povaréu!
E disse o Murilo à sua mãe:
—Quase fui pro beleléu!!!

E por ser tão dorminhoco
eu fui muito desatento.
Quase morro apedrejado
e por isso eu lamento.

Prometo agora mãezinha,
depois de tudo acabado...
Vou ser muito diferente.
Vou ser mais ajuizado!

E assim dona Crotilde,
como se pode esperar,
não mima mais seu filho
e o põe pra trabalhar!

E como todos já sabem...
Ser desatento não é bom!
E nesse dia o Murilo
aprendeu essa lição!



RJ: Denise Almeida da Silva, 2005
Ilustrador: Sandro Lopes

Esta história faz parte do livro QUEM NÃO PRESTA ATENÇÃO... SÓ SE METE EM CONFUSÃO! que é uma coletânea de histórias e poemas infantis da autora.

A primeira edição está esgotada.